Mulheres no Rock!

Brasília promove 'moção de louvor' a representação feminina no Rock de Brasília 

Por: Razon William
Foto:  Deputada Distrital Dayse Amarilio / imagem adaptada por meio de IA.
(Fonte: acervo do autor)

Considerada a 'Capital do Rock', Brasília foi - e continua sendo - um território formidável para a construção, promoção e desenvolvimento do rock brasileiro. De fato, desde os anos 60, considerando seu auge nos anos 80, até hoje a cultura rock se destaca no Distrito Federal. Várias iniciativas atuam de forma contínua para que o rock brasiliense continue sua representatividade na cultura e entretenimento da capital.  Pubs, webradios, rádios, celos musicais, coletivos musicais, festivais, estúdios, colunas de jornais, bandas autorais e tributos, artistas solos, Produtores musicais, produtores musicais, agentes de marketing, fanzines, entre  outros, formam um grande ecossistema que movimentam, ano a ano, ações de desenvolvimento e promoção da cultura rock.

Em 2016, por meio da Lei 5.615 do mesmo ano - de autoria do Deputado Distrital Ricardo Vale - o Distrito Federal reconheceu o Rock de Brasília como Patrimônio Cultural e Imaterial do Distrito Federal. O Objetivo da lei, dentre outras coisas, é reconhecer a importância cultural e artísticas do movimento oriundo de Brasília no anos de 1980, com bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial. Criando bases também para um resgate histórico do Rock de Brasília das décadas anteriores (60 e 70) e posteriores (90 e 2000), como apresentado no programa Setorial Cultura Rock (2023). Inventario Rock DF (Etapa01) - História Oral (referência IPHAN), vídeo disponível no Youtube. O programa constitui-se num conjunto de entrevistas com artistas brasilienses, sobre a constituição do Rock de Brasília.

Tendo em vista valorizar e reconhecer o papel que as mulheres desempenha na cena rock brasiliense, a Deputada Distrital Dayse Amarilio promoveu sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal,  afim de homenagear com moção de louvor mulheres roqueiras que atuam diversos segmentos do rock local, reforçando o reconhecimento do gênero musical como patrimônio Cultural e Imaterial do DF.

Imagem: Flayer de convite para Sessão solene.
Fonte: Instagram @dayseamarilio

Durante a cerimônia, foram entregues moções de louvor a cantoras, artistas, técnicas de som,  instrumentistas, roadies, produtoras, jornalistas, fotógrafas, comunicadoras, gestoras culturais e ativistas da cena musical e cadeia produtiva local. Além disso, segundo matéria de Bruno Sodré - Agência CLDF, a "Sessão solene presta homenagens e debate representatividade, segurança e políticas públicas para fortalecer a participação feminina na cena independente do rock brasiliense". E ainda, "para debater desafios e reivindicar maior reconhecimento ao segmento. Entre as principais dificuldades encontradas pelas fãs e profissionais do rock estão a insegurança, a desigualdade de oportunidades, a baixa representatividade em grandes festivais e a ausência de mecanismos específicos de incentivo."

(Foto: Analine, Ana Paula, Fernanda, Rosana e Sol Leles / Fonte: João Manha - Setorial Cultura Rock)

A deputada Dayse Amarilio na sessão solene “Mulheres do Rock” na Câmara Legislativa do DF, fez sua fala de abertura, destacando os objetivos da sessão:

“Boa noite. Boa noite, mulheres do rock. Muito bom receber vocês aqui no plenário. Hoje está mais bonito do que tantos outros dias, ao abrir as portas da CLDF, que é a casa do povo. Eu fico muito feliz nesse momento aqui.” (Dayse Amarilio)

Imagem: Vanessa, Fabiana e Alice executando do Hino Nacional em versão rock
Fonte: Agência CLDF 

“Brasília é a capital nacional do rock, e as mulheres têm papel fundamental nessa história. Hoje celebramos não apenas a música, mas também a resistência e a força feminina que sustentam essa cena cultural.” (Dayse Amarilio)

(Foto: Deputada Dayse Amarilio e a jornalista Claudia Nobrega / Fonte: TV Câmara Distrital)

A sessão “Mulheres do Rock” destaca a relevância histórica do rock de Brasília, ressalta o protagonismo feminino na cena cultural, e enfatiza as mulheres não apenas por fazer música, mas também por sustentar sonhos e transformar vidas, sendo fundamentais para manter viva a identidade do rock brasiliense. Os desafios enfrentados pelas artistas, como a falta de segurança, a desigualdade de oportunidades e a baixa representatividade em festivais, reforçam a necessidade da criação de políticas públicas específicas para o setor, reforçando a necessidade da união das mulheres do rock como forma de ampliar espaço e reconhecimento. A solenidade, além de homenagear artistas e produtoras, serviu como um chamado político para transformar o reconhecimento cultural em ações concretas de valorização e apoio.

O Setorial de Cultura Rock do DF dialoga diretamente com a sessão solene “Mulheres do Rock” atuando como ponte entre a cena independente e o poder público, trazendo as demandas das artistas e produtoras para dentro da Câmara Legislativa. Sua participação garante que o evento não seja apenas uma homenagem simbólica, mas também um espaço de construção coletiva de propostas, fortalecendo o protagonismo feminino e ampliando o debate sobre políticas culturais voltadas ao rock brasiliense.

Nesse sentido, o Setorial contribui para transformar o reconhecimento do rock como patrimônio cultural em ações concretas, articulando projetos, festivais e iniciativas que valorizem a presença das mulheres. Ao estar presente na solenidade, reforça a importância da organização coletiva e legitima o diálogo institucional, mostrando que a cena musical local tem voz ativa na formulação de políticas públicas.


Dentre outras falas, destaca-se a fala de Sheila Campos que trouxe uma reflexão profunda sobre o papel das mulheres na história do rock e na cultura em geral. Ela iniciou lembrando que o gênero nasceu das mãos de pessoas negras, destacando a pioneira Sister Rosetta Tharpe como a verdadeira precursora da guitarra elétrica no rock. Para ela, o rock, sendo um gênero de protesto e contracultura, não pode negar sua raiz feminina e negra, e é legítimo que as mulheres estejam presentes em todos os espaços de criação e decisão dentro da cena musical.

Por fim, Sheila defendeu que as mulheres não querem ser apenas musas ou vocalistas decorativas, mas sim ocupar posições de destaque em vários seguimentos e liderança. Ela destacou sua experiência como comunicadora e o papel das emissoras públicas na valorização da música autoral do Distrito Federal, reforçando que o rock é crítica, denúncia e possibilidade de novos mundos. Sua fala concluiu com um chamado à organização coletiva das mulheres do rock em Brasília, para que políticas públicas sejam construídas e garantam igualdade de espaço e protagonismo.

(Foto: Deputada Dayse Amarilio e a jornalista Denise Cecília / Fonte: TV Câmara Distrital)

 A participação das mulheres em diversos segmentos da cadeia produtiva e criativa do rock de Brasília demonstra que o movimento vai muito além do palco. Elas atuam como instrumentistas, vocalistas, produtoras culturais, técnicas de som, fotógrafas, gestoras de festivais e comunicadoras, ocupando espaços que historicamente foram invisibilizados. Essa presença plural fortalece a cena musical, amplia a diversidade de vozes e garante que o rock brasiliense continue sendo um patrimônio vivo e representativo da sociedade.

(Foto: Deputada Dayse Amarilio e a produtora Analine Ramos / Fonte: TV Câmara Distrital)

Por fim, o engajamento feminino na cadeia criativa e produtiva contribui para a construção de políticas públicas mais inclusivas e para a consolidação de uma cultura de resistência. Ao se organizarem coletivamente, as mulheres do rock não apenas reivindicam igualdade de oportunidades, mas também transformam o gênero em um espaço de crítica social e de afirmação identitária. Essa atuação integrada reforça que o futuro do rock de Brasília depende da valorização e do protagonismo feminino em todas as etapas do processo cultural.

Viva as mulheres do Rock!!

Viva o Rock de Brasília!!

Viva o Rock nacional!!


*William de Sousa Oliveira (Razon William) é mestre em Arte pela UnB, músico, compositor / vocalista da banda Radical Brasil e  professor de música em escolas públicas da SEDF. 
Atua na comunidade rock desde 1997.
Em 2025 iniciou pesquisas sobre a cultura rock de todas às épocas e todos os territórios. 

Referências:

CÂMARA FM. Mulheres do rock defendem mais espaço, segurança e políticas públicas em solenidade na CLDF. Brasília, 2026. Disponível em: <https://camarafm.com.br/noticia/10690/mulheres-do-rock-defendem-mais-espaco-seguranca-e-politicas-publicas-em-solenidade-na-cldf>. Acesso em: 29 ago. 2026.

DISTRITO FEDERAL. Lei nº 5.615, de 26 de fevereiro de 2016. Declara o Rock de Brasília como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal. JusBrasil, Brasília, DF, 2016. Disponível em: <https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/2822263094/lei-5615-16-df>. Acesso em: 29 ago. 2026.

SETORIAL CULTURA ROCK. Inventário Rock DF (Etapa 01) – História Oral (referência IPHAN). YouTube, 2023. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Weny95jb_Uc>. Acesso em: 29 ago. 2026


TV CÂMARA DISTRITAL. Sessão Solene - Homenagem às Mulheres do Rock do Distrito Federal. YouTube, 27 ago. 2026. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=dGleic1691M>. Acesso em: 29 ago. 2026.






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